Em que lugares da cidade você dançaria? - MISTURA URBANA

Em que lugares da cidade você dançaria?

Nas últimas semanas muitos santistas acompanharam de perto danças espalhadas pela cidade. Tornou-se corriqueiro encontrar pessoas dançando em pontos de ônibus, no porto, nas praças, nas pontes, ruas e tantos outros lugares. Estes dançarinos fazem parte do projeto 100 lugares para dançar, da Bienal Sesc de Dança.

100 lugares para dançar é uma cartografia dançada da cidade de Santos do coletivo os Quintos com co-produção do SESC Santos. O projeto é composto por cerca de 100 vídeo danças disponíveis no site na internet http://100lugaresparadancar.org e em instalações que transformam a arquitetura e espaços do prédio do SESC em palcos inusitados para vídeo danças.

Vinicius Terra, que assina a direção geral do projeto com Nina Guzzo e assistência de Renata Fernandes, explica que o trabalho é “um estudo de improvisação no qual os bailarinos dançam o encontro com a cidade, feita de pessoas, prédios, muros, barcos, contêineres, bares, escadas, águas, ruínas, memórias e sonhos”. Segundo Terra, que também é professor da UNIFESP, “esse projeto é também acadêmico na medida que problematiza as relações do corpo com os espaços públicos, mostrando suas estranhezas e familiaridades”. E conclui: “é por isso que a dança dos 100 lugares tem certo sentido antropológico”.

Os diretores contam que o projeto se iniciou com o trabalho realizado com Grupo de Artes do Corpo, formado por estudantes e professores da UNIFESP, que também participou das filmagens. Guzzo explica que o projeto refaz poeticamente as paisagens urbanas a partir da ideia dos cartões postais, “talvez porque somos recém chegados a Santos, talvez porque a dança tem espaços impensáveis. Vamos atrás dos lugares com a câmera e o corpo na mão”, explica Nina Guzzo.

 

Vídeo Dança Instalações

Além das danças, 100 lugares para dançar trará à Bienal uma proximidade com as artes visuais e o cinema. Serão 4 instalações que estarão em lugares inusitados do SESC Santos.

As instalações propõe novas visões sobre a dança. “Ver uma dança e a própria cidade projetadas sobre paredes, vidros, escadas e até sobre uma mesa de café é uma experiência extremamente diferente de ver uma dança no palco”, explica Gabriela Canale, que assina a concepção das instalações, todas elas pensadas especificamente para o prédio do SESC.

O resultado destes meses de trabalho já pode ser visto na internet no site http://100lugaresparadancar.org/. As instalações estarão abertas à visitação de 3 a 8 de setembro no SESC Santos.

 

Hipernovas

Vídeo dança instalação que proporciona um diálogo direto entre o corpo dos frequentadores da Bienal e as vídeo danças de 100 Lugares para Dançar. A obra permitem que o próprio espaço arquitetônico e as pessoas que circulam por ele alterem a percepção das danças nas escadas que ligam o prédio ao estacionamento.

Uma dança para o céu

Uma proposta de diálogo entre dança, vídeo, o prédio do SESC e a cidade.  A instalação utiliza a matéria de concreto geométrica da fachada do SESC como suporte para projeção de danças criadas em Santos. Tem-se um jogo entre orgânico e rijo, entre fixo e fluido em que há o estranhamento entre a escala quase monumental do prédio e o corpo que se move sobre ela.

Sobreprojeções

Dialogando tanto com a entrada principal do SESC quanto com a comedoria, esta obra ocupa os vidros com danças líquidas que remetem à presença da água na vida cotidiana da cidade e a transforma em elemento poético de dança que “liquefaz” a arquitetura.

Dessert (sobre a mesa)

Esta obra joga com os planos do movimento e com a escala no foyer do SESC. A proposta sugere relações entre as dimensões contrastantes entre as pessoas, os objetos sobre a mesa e as danças em perspectivas distantes criando uma proporção inusitada, uma perspectiva impossível.

Serviço:

O quê: 100 lugares para dançar
Onde: http://100lugaresparadancar.org/ e no SESC Santos
Quando: 3 a 8 de setembro, das 10h às 22h
Quanto: grátis
Por que ir: descobrir Santos como uma cidade a ser dançada. Conhecer um trabalho interessante que dialoga com a cidade, a dança, o vídeo e a instalação.

 

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