A ironia de um economista - MISTURA URBANA

A ironia de um economista

Nada mais atípico que um brilhante economista ter morrido doente de amor. Talvez não tão atípico em se tratando deste sentimento, entretanto, não menos irônico. Uma vez, lá pelos anos de 1999 quando ainda estudava Administração no Mackenzie em São Paulo, meu professor de Macroeconomia (um ótimo e brilhante nissei), cansado de explicar as loucuras no mercado de ações decidiu nos contar a ironia de John Maynard Keynes.  Ele que nos anos 30 salvou os Estados Unidos da Grande Depressão, a pior crise econômica da História. Esse homem brilhante (Keynes), que, além de economista, foi jornalista, crítico de artes, apoiou o Tratamento de Paz de Versalhes em 1919 com a Alemanha em “As Consequências econômicas da Paz”. Sem mencionar sua grande influência em conceder conselhos ao Tesouro Britânico e ao plano econômico do “New Deal” de Franklin Roosevelt.

Eu poderia gastar mais alguns parágrafos relatando sua biografia, mas prefiro voltar à nostálgica aula no Mackenzie. O professor nos contava que, depois de se tornar milionário com sua Teoria brilhante, ele se apaixonou por uma linda bailaria no Ballet Royal de Londres.  Paixão louca, contava meu professor, que adorava nos contar as biografia de seus ídolos. Keynes ficou cego e burro pela linda bailarina, e morreu pobre e sozinho – a bailarina, eu suponho, seguiu seu caminho por Moscou com uma boa fatia de libras esterlinas. E o mais engraçado foi a última sentença, antes de Keynes fechar seus olhos para dormir no caixão, de acordo com amigos, na qual foi publicado no TIMES de Londres: “Eu queria ter bebido mais champagne…” Espero que não pensem que tentarei explicar os fatos à meu modo. Deixarei para Nelson Rodrigues, que tem um poema que explica perfeitamente esses fatos:

‘O rico e o pobre são duas pessoas.

O soldado protege os dois.

O operário trabalha pelos três.

O cidadão paga pelos quatro.

O vagabundo come pelos cinco.

O advogado rouba os seis.

O juiz condena os sete.

O médico mata os oito.

O coveiro enterra os nove.

O diabo leva os dez.  ….

E a mulher engana os onze…’

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