Cabe no seu bolso? - MISTURA URBANA

Cabe no seu bolso?

Há quem diga que não é possível fazer shows baratos em São Paulo. Que os impostos são altos, que existe muita carteirinha de estudante falsificada, que o público faz questão de pista VIP, que as bandas cobram muito caro…

Fato é que, no último mês, comprovei que isso tudo é conversa fiada de quem é muito mercenário e quer lucrar cada milhão como se fosse o único. E da galera que curte pagar o hype.

É possível promover arte e cultura em São Paulo, realizar shows de bandas que estão fora do circuito comercial daqui e ainda assim, encher a pista (e, certamente, o bolso). Exemplos:

Virada Cultural

Virada Cultural 2011 (foto: @morangodg)

Evento realizado pela Prefeitura de São Paulo anualmente desde 2005, levando música, cinema, teatro, oficinas e outras programações artísticas, com atrações nacionais e internacionais, por toda a cidade durante 24h. Os shows que assisti este ano foram do Ska Cubano e Los Straitjackets. Alegria e muita diversão, segurança nas ruas, transporte público funcionando o tempo todo. Um evento diferenciado, com estrutura de qualidade, levando entretenimento, arte e cultura para todos.

*O grande problema deste tipo de evento sempre é a quantidade de álcool consumido e a falta de educação das pessoas. Soube de confusões e violência na região da Santa Ifigênia em todos os anos. Acredito que os incidentes sejam relacionados, além da exloração da região pelo consumo e tráfico de crack, pela quantidade de pessoas consumindo bebidas alcoolicas irresponsavelmente.


Whisky Festival

Whisky Festival 2011 (foto: @delmaferraz)

Festival que trouxe a música e a gastronomia escocesa para o Brasil em sua quinta edição. Um dos destaques do festival foi o show do Teenage Fanclub, dia 11, na The Week. Por R$50,00, quem foi pode curtir o espaço bacana, com área externa ampla e área pra fumantes, banheiro sempre limpo e disponível, a discotecagem do Lúcio Ribeiro, além de ficar encostado no palco, curtindo o show impecável da banda. As cortesias e o preço do bar também diferenciaram o evento: uma dose de Black Label ou Logan de cortesia para todos logo na entrada, água e chocolate free, doses dos uísques participantes a partir de R$10,00. Tudo isso sem fila gigantesca e demorada, sem meia-entrada, sem pista VIP impedindo quem pagou mais barato de ver a banda de perto.

Virada Paulista

Virada Paulista 2011 (foto: AAstro)

A Virada Cultural do interior e litoral do estado. O evento, que já trouxe nomes como Mudhoney e Cat Power, este ano me encheu os olhos, ouvidos e coração com Superchunk, em Mogi das Cruzes. Na rua, pra quem quiser ouvir, de graça. Fazia um frio congelante, mas era impossível não pular e cantar com o show perfeito, cheio de energia. O público participou, cantou junto, pediu música e foi atendido. Com direito a duplo bis.

Além desses eventos listados, São Paulo já sediou outros eventos grátis ou baratos nos últimos anos. Lembrando por alto:
Motomix, 2008 – Parque Ibirapuera. O festival trouxe Metric (assista), The Go! Team e Fujiya & Miyagi. Gratuito.
Planeta Terra 2007 – Vila dos Galpões. Os senhores do DEVO fizeram o melhor show que eu já vi na vida. Além dos shows de The Rapture, Cansei de Ser Sexy, Kasabian e Datarock. Paguei R$40,00 com carteirinha da faculdade.
SESC SP – sempre vou aos shows na unidade da Pompéia. Já assisti de The Jordans a Mundo Livre S/A, e muitas vezes não paguei nada, só retirei ingresso com uma hora de antecedência.

Há quem ache legal a segregação e prefira pagar quase o valor de um salário mínimo para ficar cara a cara com os artistas e bem longe da geral. Há quem pague pista VIP porque é fã demais para ver o show num lugar horrível. Ainda tem quem junta toda a grana do almoço de meses a fio para não deixar de ir em nenhum show hypado (aê, galera do check in!). Não por paixão, tietagem ou religião, para seguir a massa, mesmo.

Mas eu curto mesmo é que ainda exista gente por essas bandas que não se sujeita a pagar R$250,00 por um ingresso num festival com lineup medíocre, pra assistir uma banda só. Que não tem medo de não ser e/ou parecer o mais antenado por rejeitar exploração. Que os senhores donos das empresas que vendem a lata de cerveja por R$6,00 nesses eventos arquem com os altos custos dos shows! E ainda assim, se preparem para o lucro.

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2 Comentários

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  1. Na boa, de todas as bandas que vc citou que viu ai e eventos que foi só se destaca em qualidade (na minha opinião) Kasabian, Mudhoney.

    O cara quer ver show com segurança, organização, aluguel de estádio, por 80 reais o ingresso?

    E o custo de trazer equipe das bandas de outros países, iluminação, som, vistos de entrada, cache, hotel, segurança.. que se exploda né?

    Claro que existe abusos e ai nessa hora vale mais o bom senso. Eu fui no show do Ozzy, queria ir na Premium, mas nao iria pagar 600 reais nem pra ver o Michael Jackson se ele estivesse vivo, quanto mais o Ozzy. Fui de pista normal.

    Pago com carteirinha meia entrada. Coisas absurdas eu não pago. Simples não? Se as pessoas fizessem isso, as produtoras abaixariam os precos abusivos. Só não pode exigir preco baixo em mega-eventos.

    Os eventos que você citou, são de publico menor e sem duvidas de custos menores.

    Fábio / Responder
  2. Todas as pessoas acham que estão pagando um bom preço pela carteirinha e todas as produtoras praticamente dobram os preços por causa disso. Amigo, vc tá pagando mais q uma inteira.

    Na minha opnião, simples e não ir.

    Ter carteirinha ou falsificar uma não é uma opção. Então eu NÂO pago R$250 num mega evento de banda diferenciada.

    Se vc pode ir em 3 shows desses num mês, parabéns, tomara que esse fôlego dure para sempre. Não questiono quem tem e quem não tem grana. Mas está abusivo para nossa realidade. Seja qual for a produção.

    ps. o Kassabian foi R$40 com a carteirinha de estudante. E foi uma produção grande.

    Fabiano / Responder

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