Por que os ingressos custam tão caro? - MISTURA URBANA

Por que os ingressos custam tão caro?

Depois que li o artigo da colaboradora Ariane Corniane sobre a diferença do show pago do Manu Chao com o show gratuito em São Paulo fiquei me fazendo a mesma pergunta: Porque em São Paulo as coisas funcionam assim? Por que tudo é tão caro e a cultura é tratada como um produto elitista AINDA?

Não só São Paulo, mas deu para perceber que o Brasil entrou na rota das bandas internacionais nos últimos anos, antes tínhamos uma ou outra atração internacional com no máximo 2 apresentações no país e em 2010 cerca de 100 atrações passaram por aqui, sendo 61 só no segundo semestre com turnês em até 8 estados brasileiros. A explicação na verdade é uma junção de fatores, primeiro o dólar está favorável, segundo o descontrole da pirataria na internet fez as vendas de CDs representarem ainda menos no faturamento dos músicos e isso resultou em mais ofertas de shows e terceiro a crise econômica mundial afetou os bolsos americanos e europeus. Nos Estados Unidos, por exemplo, as 50 maiores turnês de 2010 lucraram 15% a menos que no ano anterior, logo, a América do Sul se tornou uma fonte de renda que não pode ser desprezada, uma vez que, para nós ainda é novidade ver artistas como Paul McCartney, Aerosmith e U2 tocando ao vivo.

Tá, mas por que os ingressos estão custando cada vez mais o olho da cara?

Antes de qualquer coisa, é indispensável ressaltar que organizar um evento, independente da proporção, não é nada fácil e com atração internacional é ainda mais complicado, porque o gasto com a contratação do artista não se limita só aos integrantes com a guitarra debaixo do braço. A produtora tem que se responsabilizar por toda a estrutura física do evento, do cachê, passagens de avião, hospedagem, visto de trabalho (USD 250,00 cada), advogados, transportes nacional etc… para os integrantes e a equipe técnica inteira.

O preço do ingresso é definido com base no valor da produção e o potencial da venda da meia entrada. Os produtores insistem em colocar a meia entrada como vilã na história. Em São Paulo, por exemplo, a lei é completamente confusa, a municipal limita os ingressos em até 30% da capacidade da casa, ao mesmo tempo em que, a lei estadual garante o benefício aos estudantes sem estabelecer limites fazendo com que a lei municipal se torne inconstitucional (vai entender!), sem mencionar a farra das carteirinhas falsas e é aí que abre a brecha para o dilema, pois, como determinar um preço justo para o ingresso sabendo que existe o risco de ter toda a plateia pagando meia entrada, respaldada pela lei? Simples, fazendo a meia ter o peso de uma inteira.

Então a culpa é da meia entrada?

Pior que não, nem só de ingresso vive um show. Além da área VIP e Gold – que são uma alternativa para recuperar o desfalque causado pela meia entrada – empresas de diversos segmentos injetam dinheiro no evento em troca de ter a sua marca associada ao artista ou festival, as cotas do McCartney estavam orçadas em R$ 1 milhão e ele contou com um grupo de 6 empresas patrocinadoras, já a Madonna em 2008 teve 4 patrocinadores com cotas no valor de R$ 2,5 milhões cada é só fazer as contas e acrescentar os ingressos para ver que tem alguém superfaturando nessa história. Prova é a edição 3 do Rock in Rio em 2001 quando a carteirinha de estudante e a farra dos ilegais já existiam e mesmo com o dólar custando até R$ 2,69 o ingresso saiu por míseros R$ 35,00 e hoje com o dólar a R$ 1,66 e o evento contando com um vasto time de patrocinadores o Rock in Rio Card está custando R$ 190,00.

Alguém deixa de ir aos shows por causa do preço do ingresso?

Com certeza, mas não faz diferença nos números. A verdade é que estamos dispostos a pagar o que for preciso para ver o nosso ídolo ao vivo e de beber até cair com a galera para ter o que contar para os netos no futuro e as produtoras – ao contrário dos fãs – estão interessadas no lucro como qualquer outra empresa. Em 2007o site O Globo fez uma enquete perguntando se valia a pena pagar R$ 160 para ver o Show do Aerosmith e dos 3.700 votos, a maioria respondeu que sim e se possível, pagariam até mais….

O caderno Divirta-se e o blog Combate Rock, ambos do jornal O Estado de S. Paulo, publicaram recentemente uma série de matérias de autoria das jornalistas Carol Pascoal e Marina Vaz sobre os altos valores cobrados por ingressos para os shows internacionais realizados recentemente no Brasil. Leia e descubra que dependendo da cidade e a tipo de ingresso que você resolver comprar compensa mais ir assistir na Argentina e ainda ganhar um dia de tour em Bueno Aires Clique aqui e leia

Foto: Fernanda Guedes – Sketchbook

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