ZEZÃO NA CHOQUE POR LOST ART E OSCAR D'AMBROSIO - MISTURA URBANA

ZEZÃO NA CHOQUE POR LOST ART E OSCAR D’AMBROSIO

Zezão

Inquietação permanente, por Oscar d’Ambrosio*

O artista plástico Zezão já tem seu nome assegurado em qualquer pesquisa que se considere séria da arte produzida no Brasil neste início de século. Há nele muito mais do que apenas o exótico de pintar nos subsolos dos canais de água pluvial. Seu trabalho tem uma personalidade que se manifesta cada vez mais intensamente.

A exposição que realiza em 2010 na Galeria Choque Cultural expressa justamente uma inquietação. Sua marca registrada em azul é um marco, mas não um elemento limitador, pois progressivamente vem sendo utilizado nos mais diversos suportes, apontando para uma expressão que sai da rua e convive bem na galeria.

Isso significa não apenas o aproveitamento de novos recursos, como a fotografia, mas, principalmente, o inconformismo de pensar como o seu trabalho pode ganhar novos espaços sem perder a autenticidade. A utilização de molduras douradas e pesadas para colocar suas obras na parede é a consecução de um diálogo entre o velho e o novo.

O curioso é que isso se dá sem conflito. O uso de madeiras e papelão são apenas decorrências do desenvolvimento de um processo artístico que não se basta em si mesmo, com os olhos no retrovisor de passos já dados. Seu compromisso é com o futuro, o que demanda contínua pesquisa e reflexão sobre o próprio trabalho.

Zezão se vale do sujo, do lixo e do refugo para expressar um belo que não se esgota no olhar contemplativo e estático. Seu criar, fazer e pensar é o da ação assídua, da inquietação que motiva a sempre ter uma idéia pronta a ser realizada. A estagnação não faz parte do seu vocabulário e seu trabalho é um modo de estudar e pensar o mundo para viver nele com liberdade, independência e questionamentos duradouros.

*Oscar D’Ambrosio, doutorando em Educação, Arte e História da Cultura na Universidade Mackenzie, é mestre em Artes Visuais pelo Instituto de Artes da Unesp. Integra a Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA-Seção Brasil).

FOTOS por LostArt

http://www.lost.art.br/zezao_vari_acoes.htm

Zezão ocupa três andares da Choque Cultural em exposição solo

A partir de 26 de junho Vari Ações Urbanas vai mostrar fotos, telas, relevos e outros trabalhos inéditos do artista.
Zezão apresenta novos elementos de sua pesquisa e criação. O título é um jogo entre a variedade de suportes e a forte influência da rua em seu trabalho.

Além de suas tradicionais tags azuladas que aparecem nas colagens em madeira e papel, canvas e bases enferrujadas, Zezão dá continuidade ao trabalho apresentado na exposição De dentro para fora/ De fora para dentro, no MASP.

Para isso, Zezão continuou sua busca por madeira, papel e placas em desuso, para compor suas colagens em linhas geométricas que chegam a medir 1,85 x 1,90 m. Em alguns casos, molduras antigas contornam as obras num contraponto entre o clássico e o urbano., Zezão produziu espécies de caixas em madeira com objetos provenientes da rua e retirou suas aplicações azuladas apresentando um novo olhar.

Vari Ações Urbanas conta ainda com criações fotográficas feitas em lugares abandonados, como a antiga rodoviária Julio Prestes, em fase de demolição. Nesse light painting, Zezão contou com a colaboração do fotógrafo Gal Oppido, que vem acompanhando seu trabalho desde o projeto Catacombs, na França.

Assim, Zezão utilizou uma grande lanterna com led azul e uma câmera de alta qualidade para desenvolver grandes fotos, incluindo duas panorâmicas de 2,30 x 1 metros. Outras fotografias que reproduzem paisagens subterrâneas e abandonadas, clássicas de São Paulo como a Estação da Luz, Serra da Cantareira e as galerias do córrego Cabuçu de Baixo, podem ser conferidas em tiragem limitada.

Uma das salas da Choque Cultural foi dedicada à pintura psicodélica de Zezão, além de estencils. Ambientada com luz negra e fundo preto, o ambiente ainda terá um biombo de alumínio (retirado de um piso de ônibus) pintado com spray.

“Procuro trabalhar com diferentes linguagens, como painéis de madeira, fotografia, psicodelismo e instalação. Agora, quero mostrar um novo trabalho que parte da temática da construção com objetos e referências da rua”, conta Zezão, que também está trabalhando em seu primeiro livro biográfico.

Vari Ações Urbanas. Galeria Choque Cultural. Rua João Moura, 997, Pinheiros. Telefone: (11) 3061-4051. www.choquecultural.com.br. De 26 de junho a 7 de agosto de 2010. Terça-feira a sábado, das 12 horas às 19 horas – abertura no sábado (26), a partir das 16 horas. Grátis/Livre.

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