BeetleCam: África selvagem sobre rodinhas - MISTURA URBANA

BeetleCam: África selvagem sobre rodinhas

Depois de constatar que o mundo da fotografia de vida selvagem é repleto de pessoas talentosas e equipamentos caros, técnicas de camuflagem, super lentes teleobjetivas e estratégias de tocaia, os irmãos Will e Matt Burrard-Lucas, dois fotógrafos britânicos, fritaram neurônios na busca do que ainda não foi feito.

Eles poderiam muito bem se valer da famosa técnica de instalar câmeras em pontos estratégicos que fossem ativadas pelos animais via sensores infravermelhos, técnica que tem dado certo já há bom tempo, mas consome tempo e paciência. Então por que não botar a câmera pra andar?

Após um tempo de pesquisa de materiais e construção / adaptação de protótipo, eis que surge o BeetleCam, um bugzinho com pneus largos e tratorados, uma Canon 400D com uma lente grande-angular, um flash de cada lado para preencher as sombras causadas pela luz dura da África e uma camuflagem adequada para o aparato não chamar tanta atenção, protegendo da poeira ao mesmo tempo.

Próxima etapa: teste de campo. Foram os dois queimar duas semanas num parque ao sul da Tanzânia. O primeiro candidato ao teste, um elefante, deu certo trabalho. Dotado de audição aguçada, o animal reagia facilmente ao BeetleCam. A técnica encontrada pelos irmãos foi posicionar o caranguinho de frente pro elefante e esperar pelo momento decisivo bressoniano. Deu certo.

Forrados até as tampas de otimismo, vão em seguida  testar o brinquedinho com a segunda espécie: leões.

Não demorou muito, uma leoa sacou o BeetleCam entre os dentes e levou-o pra dar uma volta no meio do mato. E assim criou-se a necessidade de uma operação-resgate. Ao encontrarem o que restou da câmera, se surpreenderam com o cartão de memória ileso e quando baixaram para o computador, fotos impressionantes.

Valeu o sacrifício da Canon 400D, que teve de ser substituída por uma Mark III, a outra (e única) câmera que os Burrard-Lucas tinham à mão na ocasião. Fizeram então as devidas adaptações e continuaram. Dessa vez partiram para o búfalo africano que, apesar da fama de agressivo, se mostrou bem curioso e um tanto cooperativo.

De volta ao Reino Unido, os irmãos Burrard-Lucas deram dezenas de entrevistas para a televisão e saíram em jornais em todo o país e ao redor do mundo. Atualmente trabalham no protótipo de uma Canon Mark II e planejam voltar no meio do ano, segundo dizem em seu blog-portifólio.

Mas além de trazerem da primeira viagem um novo tipo de fotografar vida selvagem, também trouxeram uma história um tanto quanto curiosa. A leoa que levou a Canon 400D pra dar uma volta se mostrou uma ótima fotógrafa, fazendo vários auto-retratos e algumas fotos de paisagem antes de enfiar os caninos na caixa do espelho da câmera.

– Via Daniel “Fore” Mitsuo

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